O Grupo de Trabalho Multidisciplinar para Enfrentamento da COVID-19, da UFRJ-Macaé, realizou um estudo no qual traça um panorama de cenários epidemiológicos da Covid-19 para o estado do Rio de Janeiro e para o município de Macaé mais especificamente, delineado a partir dos resultados de modelos para o Brasil de acordo com a metodologia empregada pelo Imperial College (Reino Unido).

Para este estudo, foram explorados os seguintes cenários: (1) sem nenhuma redução da propagação da infecção (sem isolamento social), (2) com isolamento moderado, (3) isolamento moderado para a população em geral e aumentado para idosos e (4) um cenário com restrição precoce e severa da circulação da população.

Segundo o Prof. Antonio Guimarães, membro do GT e professor da engenharia da UFRJ-Macaé, um dos principais objetivos do estudo consiste em evidenciar de forma mais próxima em nível municipal as possíveis consequências da pandemia e como é importante adotar políticas públicas e comportamentos individuais de redução de danos. “Não fazer nada” e deixar o novo coronavírus correr solto é algo extremamente danoso para a saúde da população. Poderíamos ter somente no município de Macaé mais de mil mortes. Adotando medidas de higiene e saneamento, bem como distanciamento social, os infectados que precisarem de cuidados médicos poderão ser atendidos minimamente pelo sistema de saúde. Caso contrário, corremos o risco de não poder cuidar de todas as pessoas doentes.

Vale ressaltar que Macaé adotou bastante cedo medidas de mitigação em relação à pandemia do Covid-19, então o cenário de restrição mais intensa e precoce pode ser um balizador para a cidade. No pico da pandemia neste cenário é previsto algo como quase uma centena de internações, sendo duas dezenas de casos graves, potencialmente necessitando unidades de terapia intensiva. Macaé possui cerca de uma centena de UTIs em sua rede pública e privada para atender aos pacientes do coronavírus. Nesse mesmo cenário, o número total de óbitos durante toda a pandemia chega a meia centena para o município. Em contraste, cenários sem mitigação, ou seja, não fazer nada para evitar o avanço da infecção,  projetam mais de mil óbitos.

A compreensão dos diferentes cenários é fundamental para uma ação mais eficaz em situações complexas como a pandemia. “A universidade deve auxiliar o poder público na tomada de decisão com base na ciência para proteger os cidadãos macaenses”, afirma a professora e Dra. Karla Santa Cruz Coelho, coordenadora do grupo de trabalho.

O grupo de trabalho reitera que as características e dinâmica da Covid-19 ainda são bastante incertas, requerem muitas hipóteses e adoção de parâmetros que ainda estão sendo determinados. Nesse sentido, modelos e simulações são úteis para fornecer estimativas e noções de comportamento geral, mas possuem limitações em poder preditivo quantitativo preciso. Modelos e simulações mais realistas em relação à realidade epidêmica no Brasil, Rio de Janeiro e Macaé ainda precisam ser desenvolvidos.

Mais sobre o estudo: O trabalho base do Imperial College, referência da metodologia utilizada neste estudo, influenciou os governos do Reino Unido e dos Estados Unidos a alterarem suas políticas públicas em relação à Covid-19. Este presente estudo partiu dos resultados obtidos para o Brasil pelo Imperial College COVID-19 Response Team para gerar um panorama geral aproximado de cenários epidemiológicos para o Estado do Rio de Janeiro e para Macaé, município do Norte Fluminense. Quandos os achados desse conceituado grupo são particularizados para o estado do Rio de Janeiro e município de Macaé-RJ, é possível fornecer uma noção concreta aos governos e públicos dessas localidades e o que é esperado em termos de infectados, hospitalizados e óbitos por Covid-19.

Para o período total da pandemia, foram feitas estimativas de número de infectados, hospitalizações, casos graves e óbitos. Para Macaé, foi feita uma comparação da predição estimada, no cenário mais otimista, do número de casos graves no pico da pandemia com a capacidade instalada de UTIs na rede pública e privada.

Mais sobre o grupo de trabalho:

O Grupo de trabalho multidisciplinar tem objetivo de subsidiar o planejamento e a coordenação das ações conjuntas que serão realizadas entre UFRJ Campus Macaé e a Prefeitura Municipal de Macaé para enfrentamento do COVID-19. Pretende-se desenvolver estratégias conjuntas para subsidiar as decisões da prefeitura e as ações no território.

Contatos:

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Foto: Arthur Moês

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