Nesta sexta-feira, dia 30 de maio, às 14h30m, no Auditório Hélio Fraga, no 2 andar do Bloco K do prédio do CCS - Centro de Ciências da Saúde -, na Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, o professor Francisco de Assis Esteves, diretor do NUPEM/UFRJ - Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé, será homenageado com o título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro, outorgado pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, por iniciativa da deputada Aspásia Camargo. A cerimônia abrirá os festejos dos 20 anos de criação do NUPEM/UFRJ, com extensa e variada programação, que será realizada na semana de 2 a 6 de junho, em sua sede, no Município de Macaé. Estarão à mesa da cerimônia, além do homenageado, a deputada Aspásia Camargo; a decana do CCS, profª Maria Fernanda Santos Quintela da Costa Nunes; o prefeito de Macaé, Aluízio dos Santos; e o reitor da UFRJ, prof. Carlos Levi.

PROfFRanciscoNatural da Cidade de Cascavel, Estado do Ceará, Francisco de Assis Esteves nasceu no dia 4 de setembro de 1950. O pai, José Esteves da Silva, era um pequeno agricultor de subsistência; e a mãe, Raimunda Pereira da Silva, doméstica. Com 14 meses de idade ficou órfão de pai, juntamente com mais 13 irmãos. Aos nove anos migrou para o Rio de Janeiro e, já com 13 anos, começou a trabalhar como vendedor em uma papelaria.

Os seus estudos básicos e secundários foram concluídos no período noturno em escolas públicas nos bairros do Engenho de Dentro e da Tijuca. Em 1970 foi aprovado no curso de Biologia da UFRJ, onde se graduou em 1973. Ainda nos primeiros semestres de sua graduação teve interesse despertado pelo estudo da Ecologia das Águas Continentais, da Lagoa Rodrigo de Freitas e dos lagos de altitude do maciço de Itatiaia, ambientes que se tornaram fontes de pesquisa cientifica. Ainda 1973 recebeu bolsa de estudo da Alemanha e, de 1974 a 1978, realizou seu curso de doutorado no renomado instituto Max-Plack Insitut für Limnologie, na Cidade de Ploen, sob a orientação do cientista Harald Sioli.

Francisco Esteves atualmente é Professor Titular em Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Coordenador do Laboratório de Limnologia da UFRJ e Diretor do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé - NUPEM/UFRJ -, unidade acadêmica vinculada ao Centro de Ciências da Saúde - CCS - da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. É casado com Maria Rosa Esteves, bióloga e mestre em Ecologia, com quem tem dois filhos: Bruno Esteves, estudante de Direito, e Lívia Esteves, médica.

Ao retornar ao Brasil, com 28 anos de idade, Francisco Esteves foi contratado como Professor Adjunto pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde exerceu suas atividades de docente até 1989, sendo, então, transferido para UFRJ. Na UFSCar deu inicio a construção da área do saber conhecida como Limnologia (Ecologia das Águas Interiores), que até então era praticamente inexistente no Brasil. Lá criou um pioneiro e importante laboratório de Limnologia, formou os primeiros doutores em Ecologia de Águas do Brasil e, em 1982, fundou a Sociedade Brasileira de Limnologia.

O professor, em 1988, publicou o primeiro tratado em Limnologia na língua portuguesa: "Fundamentos de Limnologia", que já se encontra na terceira edição e é obra de referencia na área, não só no Brasil, mas em toda América Latina. Ele é considerado pioneiro, no Brasil, nas pesquisas em ecologia de ecossistemas aquáticos continentais, especialmente nas lagoas costeiras do Norte Fluminense e lagos e rios da Amazônia. Suas pesquisas sobre estes ecossistemas e outros pelo Brasil afora resultaram numa massiva produção científica, gerando mais de 200 artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais, além de 6 livros, 55 capítulos de livros e dezenas de artigos em divulgação cientifica, alfatização ecológica e educação ambiental.

No início da década de 1990 seus esforços se concentraram no sentido de conceber e construir um centro de pesquisas em ecologia em Macaé, município no Norte Fluminense. Em 1994 foi criado, então, o Núcleo em Pesquisas Ecológicas de Macaé - NUPEM/UFRJ -, cujo início era apenas uma base de pesquisa para os biólogos do Laboratório de Limnologia da UFRJ. Hoje possui o status de Instituto e abriga um curso de Licenciatura em Biologia, Bacharelado em Biotecnologia e Ciências Ambientais e Curso de Mestrado e de Doutorado em Ciências Ambientais.

A criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, em 1998, ocorreu graças ao enorme volume de pesquisas realizadas e estimuladas por Francisco Esteves nas restingas do Norte Fluminense. Estas pesquisas constituíram a base científica para justificar a criação deste parque nacional. Além disso, ele liderou o movimento político-social, que envolveu a sociedade, tanto num âmbito local, como nacional, que resultou na criação do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Esta Unidade de Conservação preserva, para as gerações futuras, mais de 15 mil hectares de restinga, um mosaíco de ecossistemas de extrema singularidade ecológica do país.

Francisco Esteves já orientou 39 dissertações de mestrado e 26 teses de doutorado. Hoje, no Brasil inteiro, boa parte dos grandes pesquisadores na área de Ecologia Aquática foi ou é aluno do professor Francisco Esteves. Em praticamente todos os estados brasileiros existem ex-alunos que ocupam posições de destaque em universidades estaduais e federais. Desta forma, toda uma geração de pesquisadores que hoje ocupam cargos de destaque na área de pesquisa do Brasil foi influenciada pelos ensinamentos do professor Francisco Esteves.

O professor sempre teve a convicção de que os conhecimentos gerados através de sua pesquisa pudessem modificar a forma de pensar da sociedade. Desde o começo de sua carreira sempre teve a preocupação de compartilhar o conhecimento gerado através de sua pesquisa científica com a sociedade.

Assim, Francisco Esteves liderou projetos de educação ambiental que atingiram mais de 8000 crianças das redes públicas e particulares de ensino em Macaé e arredores. Também idealizou e realizou cursos de Educação Ambiental para pescadores e cursos de Capacitação para professores do ensino médio e fundamental, onde as características ecológicas dos ecossistemas do Norte Fluminense foram compartilhadas com aqueles que mais carecem destas informações, entre estes, professores do ensino médio e fundamental.

Eles se tornam agentes multiplicadores dos conhecimentos, multiplicando o número de pessoas atingidas pelos projetos liderados pelo professor Francisco Esteves. Esta ação é de absoluta importância para o desenvolvimento da consciência ambiental da atual e das futuras gerações.

O professor e pesquisador Francisco Esteves também foi o idealizador da Escola Municipal de Pescadores em Macaé. Nesta escola, os filhos de pescadores recebem ensino de qualidade da 5ª a 8ª série, onde os conceitos empregados em todas as disciplinas se voltam para a prática da pesca e de conservação ecológica. Com isto, os futuros pescadores da região serão cidadãos mais preocupados com os problemas ambientais que afetam toda a sociedade e, sem dúvida, contribuirão para uma revolução na melhoria da prática pesqueira da região.

Fruto de sua produção cientifica, compromissado com o desenvolvimento socioambiental e com o crescimento sustentável, Francisco Esteves tem recebido condecorações de vários municípios d da Região do Norte Fluminense e prêmios, dos quais se destaca o II Prêmio de Responsabilidade Socioambiental da Bacia de Campos concedida pela Revista Visão Ambiental, UENF e Prefeitura de Macaé. O reconhecimento da excelência de sua produção cientifica é reconhecido pala academia, através do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), que o classificou com a sua graduação máxima (1A).

ASPÁSIA CAMARGO

Aspasia2A deputada Aspásia Camargo, socióloga, historiadora e professora, está em seu primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, eleita em 2010 pelo Partido Verde. Ela é presidente da Comissão Permanente de Saneamento Ambiental e da Comissão de Governança Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro e, ainda integrante da Comissão de Cultura; da Comissão Especial para Acompanhamento do fim dos Lixões e da Comissão Especial para identificação das áreas contaminadas do Estado.

Aspásia representa a ALERJ na União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais como presidente da Comissão Especial do Pacto Federativo, que está discutindo a forma como municípios, estados e a união devem se relacionar.

A primeira fase do mandato de Aspásia esteve voltada para o diagnóstico da situação do saneamento ambiental, especialmente, na Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro, com a compilação de dados sobre tratamento e abastecimento de água; coleta e tratamento de esgoto; destinação final dos resíduos sólidos - com o acompanhamento e denúncias de lixões irregulares; e saúde dos corpos hídricos como a Baía de Guanabara, praias, rios e lagoas.

Como deputada, Aspásia é autora da lei 6.496/13 que regulamenta a divulgação das condições das águas e das areias das praias mais frequentadas do estado, obrigando o Poder Público a informar se elas estão próprias ou impróprias. Atualmente tramitam ALERJ  dois importantes projetos de lei de sua autoria:  o PL de Saneamento, que estabelece que o Governo do Estado deve atuar nas pontas do sistema (tratamento de água e de esgoto), deixando os serviços de abastecimento de água e coleta de esgoto para os municípios; e o PL do Mercúrio, que visa proibir a fabricação, o uso, a comercialização, a utilização, o armazenamento e o reparo de instrumentos que contenham mercúrio, entre eles os aparelhos de pressão e os termômetros analógicos.

Em 2013, a parlamentar abriu forte frente contra o uso indiscriminado de agrotóxicos na pouca agricultura que existe no Estado do Rio de Janeiro. Ela defende que o território fluminense tem vocação para a agricultura orgânica e familiar, que pode abastecer as mesas dos cidadãos; impulsionar uma indústria  gastronômica sofisticada; e até mesmo sustentar atividades turísticas.

Sua meta principal é a universalização do saneamento ambiental, objetivo que, agora, ganha reforços com a intensificação da atuação da comissão presidida pela deputada que abraçou a despoluição das praias da Região dos Lagos e da Lagoa Rodrigo de Freitas, um dos grandes patrimônios ambientais da cidade, que há 15 anos convive só com promessas.  Ela se esforça ainda para estimular as autoridades a adotarem políticas de coleta seletiva e reciclagem, com a implementação de tecnologias que transformam resíduos em energia que já vêm engatinhando mundo afora.

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