“Vale a pena buscar esta utopia”

Vice-Diretor do Instituto NUPEM/UFRJ, professor Francisco Esteves,  fala à  Associação dos Docentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ADUFRJ) sobre a experiência exitosa de interiorização da UFRJ. 

 

Por Silvana Sá

Publicado: 14 Novembro 2019

 

 

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Professor Chico Esteves - Foto: Silvana Sá

 

Pesquisador eminente em Ecologia e atual vice-diretor do Nupem, Francisco de Assis Esteves iniciou suas pesquisas em Macaé ainda em 1983. “Viajava dirigindo uma kombi azul com alunos, equipamentos de pesquisa e barracas. Eram 14 horas na estrada”, relembra o docente, dono do título de cidadão macaense. Além do Nupem, a UFRJ possui em Macaé o campus Aloísio Teixeira, onde ainda há uma série de lacunas de implantação, como relata Chico Esteves na entrevista a seguir:

O senhor é um entusiasta da interiorização.
Professor Chico Esteves: Quando a universidade pública vai para o interior, ela promove o desenvolvimento da região. Assim aconteceu com Piracicaba, Londrina, São Carlos. Se a gente conseguir organizar o que já temos em Macaé, a UFRJ pode servir de modelo para outras universidades. Precisamos transformar todo aquele investimento que a universidade já fez em desenvolvimento.

Enfrentou muita resistência?
Enfrentei e ainda enfrento. Mas conseguimos provar que é possível a universidade fazer interiorização com excelência no ensino, na pesquisa, na extensão. O NUPEM/UFRJ é nosso exemplo concreto. Ainda há quem acredite que a UFRJ é uma universidade somente da capital. Isto é um grande equívoco. Temos compromisso com a construção da nação brasileira.

O que diria para essas pessoas?
Para aqueles que ainda têm dúvidas, posso dizer que o motor que nos move é ver e ouvir o relato de muitos brasileiros que lá estudam, quando, com lágrimas nos olhos, dizem que não poderiam estar na universidade pública e de qualidade se a UFRJ não estivesse lá presente. Só isso já vale todo nosso esforço.

Qual a principal lição da interiorização da UFRJ?
De que valeu e está valendo a pena a busca por esta utopia. Hoje realizamos pesquisas de excelência com compromisso social para desenvolver a região e que impactam diretamente na vida das pessoas. Formamos excelentes quadros. Temos projetos de extensão com estudantes das escolas públicas, com professores da rede estadual. A universidade está atuante e plena na sua missão institucional de promover o bem estar dos cidadãos brasileiros que vivem em Macaé e região.

Por que o Nupem é tão exitoso e o campus Aloísio Teixeira passa por tantos problemas, como a falta de professores?
Houve dois problemas centrais: a gestão ficou aquém dos desafios que a implantação de um campus nos impõe. Haveria necessidade de termos um conjunto de professores da UFRJ experientes em interiorização. O outro problema é que a grandeza do projeto exige mais presença da administração central nos novos campi. Nossa missão inegociável é criar em Macaé uma universidade nos padrões acadêmicos, que é a tradição da UFRJ, e não uma universidade que funcione como um colégio.

Qual caminho seguir?
Não há segredo. É só seguir o modelo exitoso do NUPEM/UFRJ, ou o modelo USP/Ribeirão Preto, da Federal de São Carlos, da Unicamp, da Federal do ABC. Há muitos exemplos. Por que não seguir um destes?

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