NUPEM/UFRJ apresenta análise sobre abertura de barras nas lagoas do Parque Jurubatiba

Pesquisadores do instituto, que estudam o local há mais de duas décadas, alertam para os riscos dessa ação. Confira matéria publicada na edição de 11 de janeiro de 2020 do Jornal "O Debate".

 

odebate 11jan2020

 

Leia abaixo a matéria na íntegra:

 

No final do ano passado, ocorreram as aberturas das barras das lagoas de Carapebus e Paulista. O Instituto de Biodiversidade e Sustentabilidade Nupem/ UFRJ vem estudando a região há mais de duas décadas e, recentemente, divulgou uma análise sobre o fenômeno, que não acontecia de forma natural desde janeiro de 2008.

esde janeiro de 2008. Para o Nupem, esse rompimento pode gerar impactos aos ecossistemas locais. De acordo com o instituto, muitos organismos que evoluíram na água doce, e dependem exclusivamente dela para viver, “não possuem adaptações fisiológicas para lidar com as mudanças na salinidade da água”.

Ele explica que a abertura da barra de uma lagoa costeira cria uma força de vazão para o mar levando, além da água doce, todos aqueles organismos sem força o suficiente para nadar contra a correnteza. Até mesmo animais de maior porte, como capivaras, jacarés do papo-amarelo e serpentes são correm o risco de serem arrastados para o mar.

Para as 18 lagoas costeiras situadas dentro dos limites do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba (Restinga de Jurubatiba), a autorização da abertura da barra arenosa é realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), após deliberação do Conselho Consultivo da Unidade, no qual representantes da sociedade civil, prefeituras e institutos de pesquisa têm direito ao voto.

O Nupem explica que das aberturas de barra ocorridas em 2019, apenas a da Lagoa de Carapebus, no dia 13 de dezembro, seguiu o Protocolo de Procedimentos de Abertura de Barra de Lagoas do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba.

Essa foi a segunda vez, em seis anos, que o protocolo foi acionado e aplicado em Carapebus (anteriormente em 23 de dezembro de 2013). O estado crítico das edificações e acessibilidade ao balneário homônimo foram as principais motivações para a autorização do procedimento, apesar dos efeitos negativos para conservação da biodiversidade aquática

ção da biodiversidade aquática. Entretanto, na Lagoa do Paulista isso teria ocorrido, de acordo com o Nupem, de forma errada. No início de dezembro, populares teriam tentado abríla de forma criminosa, depois da inundação das áreas do entorno por conta das fortes chuvas. No dia 23 de dezembro, as prefeitura de Quissamã e Carapebus, com auxílio do ICMBio, realizaram o fechamento da barra

Para os pesquisadores da UFRJ, esse procedimento de abertura na Lagoa do Paulista representou um ato que, além de ilegal, irresponsável, pois Arquivo O DEBATE Para o Nupem, esse rompimento, mesmo que de forma natural, pode gerar impactos aos ecossistemas locais colocou em risco a segurança hídrica nos dois municípios e ameaçou a conservação de espécies nativas das lagoas costeiras da Restinga de Jurubatiba.

Lembrando que menos de 2 km separam as lagoas de Carapebus e do Paulista, sendo consideradas, juntas, um dos mananciais de água doce mais importantes da região. Como exemplo, eles dizem que abrir as duas barras, simultaneamente, seria como abrir as duas torneiras em uma pia dupla, ou seja, aumentando as chances de “esvaziarem a caixa d’água”.

Os pesquisadores alertam que isso pode resultar em impactos dentro e fora dos limites do parque. Isso porque a abertura pode drenar a água doce de outras lagoas, como a Feia e da Ribeira, reduzindo o nível delas, prejudicando o abastecimento da população de Quissamã, por exemplo.

“A diminuição do volume de água das lagoas do Paulista e de Carapebus levará a uma redução na altura do lençol freático em áreas adjacentes, trazendo consequências negativas para os assentamentos de agricultores de Carapebus, que dele dependem para irrigação de seus cultivos”, explicam os pesquisadores.

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